Ao longo da história da humanidade, desde o neolítico, esses processos cíclicos vêm sendo rompidos lentamente pela forma predominantemente extrativista que as sucessivas civilizações se relacionaram com a Terra. Durante um longo período, a cultura dominante foi uma cultura de apropriação em que o projeto humano tornou-se um projeto de poder e exploração. Sob a hegemonia desta cultura patriarcal-matriarcal, cujas origens remonta a milênios conforme estudos arqueológicos (antes predominava a cultura matrística, caracterizada pela grande integração com a natureza), o homem foi separando-se cada vez mais da natureza e fez dela sua escrava, submetendo-a ao seu desejo de poder. Assim, o homem distanciou-se de sua própria natureza e este longo processo alcança nos dias atuais, com a sociedade economicista centrada no consumo e na acumulação, uma situação de grande risco para toda a humanidade.
A devastação ambiental acentuou-se notadamente a partir da revolução industrial até os dias atuais, período em que a população mundial explodiu de 1 bilhão (em 1800) para mais de 6 bilhões (em 2000) – a maioria vivendo sob padrões de comportamento e hábitos de consumo incompatíveis com a capacidade de reposição do nosso planeta.
Hoje, as mudanças climáticas mostram que chegamos em uma situação terminal em que o maior desafio do século XXI será a construção, ainda em nossa geração, de um novo paradigma civilizacional que seja capaz de estabelecer uma relação de convivência, identificação, respeito e tolerância com Gaia, sob pena de comprometermos as gerações futuras e a comunidade de vida na Terra, como sabiamente já alertava, em 1854, o chefe indígena Seatle:

“Isto sabemos: a terra não pertence ao homem;
o homem pertence à terra.
Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas
como o sangue que une uma família.
Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra
recairá sobre os filhos da terra.
O homem não tramou o tecido da vida;
ele é simplesmente um de seus fios.
Tudo o que fizer ao tecido,
fará a si mesmo.”